Os dados apontam para 21 mortes entre janeiro e junho. No 1º semestre de 2016 foram registrados 12 óbitos de ciclistas

O trânsito brasileiro é perigoso. Até aí nenhuma novidade. Mas ele se torna ainda mais perigoso justamente para os mais vulneráveis: pedestres e ciclistas. Dados da CET-SP relativos a 2016 apontam que o pedestre é a maior vítima da violência do trânsito na capital

Relatório do Infosiga (Sistema de Informações Gerenciais de Acidentes de Trânsito do Estado de São Paulo) trazem agora um dado alarmante: o aumento no número de mortes de ciclistas. Segundo o site, este número subiu 75% nos primeiros seis meses deste ano em relação ao mesmo período de 2016. Os dados apontam para 21 mortes de ciclistas entre janeiro e junho. No 1º semestre de 2016 foram registrados 12 óbitos.

Pelos dados da CET, que adota outra metodologia, em todo o ano de 2016 foram registradas 30 mortes de ciclistas no trânsito da capital, 3,5% do total segundo a metodologia adotada pela Companhia.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), sempre que são divulgados dados do Infosiga, reage de forma lacônica.  Por meio de nota a CET afirmou ontem que os dados oficiais com que trabalha, e que levam em consideração boletins de ocorrência, não confirmam os dados do site do governo do estado. E se limitou a afirmar que a Secretaria Municipal de Mobilidade e Transportes lançou “ações focadas nos pedestres e nos ciclistas”, para aumentar a segurança no trânsito.

As mortes de ciclistas aconteceram por toda a cidade, mas foi na Zona Sul onde o se verificou o maior número de óbitos: oito casos.

Já no Estado de SP o número de mortes de ciclistas no trânsito caiu 3,7%.

A BICICLETA COMO ALIADA:

Os deslocamentos por bicicleta na capital tiveram um crescimento de 6,8% entre 2007 e 2012, segundo dados da pesquisa Origem Destino do Metrô. Aliado a esse dado, convém lembrar que recentemente houve a implantação de uma extensa malha cicloviária, fato que foi objeto de muita polêmica na cidade.

Se o uso da bicicleta se popularizou, os dados indicam que pedalar em São Paulo continua sendo uma forma de locomoção perigosa. Enquanto em muitos países o uso da bicicleta foi incentivado justamente para fazer frente á violência do trânsito, no Brasil o tema ainda é tabu.

Condizente com uma visão de cidade mais segura e habitável, com menos carros nas ruas, o tema da mobilidade a pé e por bicicleta entrou na pauta do poder público em todas as esferas em cidades mundo afora. No Brasil, e particularmente em São Paulo, o tema continuam sendo tratado de forma apaixonada e sem qualquer critério técnico.

O que é preciso é tornar a bicicleta uma aliada no acesso ao transporte coletivo. Os sistemas de transporte de média e alta capacidade são essenciais para a mobilidade em grandes metrópoles, mas não são apropriados para deslocamentos mais curtos. A integração intermodal, combinando várias formas de locomoção, é ingrediente básico em qualquer rede de transporte.

A viagem diária do cidadão começa já no momento em que ele sai de sua casa. Para chegar até uma estação de trem ou metrô ele precisa caminhar por calçadas adequadas, com boa iluminação e segurança. A bicicleta é uma aliada para trajetos curtos, integrando o caminho da casa ao terminal de trem, ônibus ou metrô, por exemplo. Mas para isso é preciso que haja uma ampla estrutura de bicicletários, além de boa segurança no percurso.

Uma integração real dos vários modos de locomoção na cidade – principalmente o caminhar e as bicicletas – é o básico em qualquer plano de mobilidade urbana. A cidade construída e planejada para o uso intensivo do automóvel é modelo que já ficou no passado em muitos países que se preocupam não só com a segurança de seus cidadãos, como também com o meio ambiente e a qualidade de vida de todos.

Do Diário do Transporte

Alexandre Pelegi, jornalista especializado em transporte